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10/08/2016
A perda de competitividade do setor de cana de açúcar no Brasil – III
Em nosso post anterior mostramos a bem sucedida missão do Proálcool (Programa Nacional do Álcool) no atendimento dos seus objetivos de reduzir a dependência brasileira do petróleo importado e de competir economicamente com a gasolina. Estamos nos referindo ao período 1973-2003, quando a produção brasileira de etanol passou de pouco menos de 0,7 para 30 bilhões de litros por ano-safra. E de lá para cá? O que aconteceu?

 

A perda de competitividade do setor de cana de açúcar no Brasil – III

E de lá para cá? O que aconteceu?

Uma decepção. Uma decepção setorial que acompanhou um movimento geral de perda de eficiência econômica do País como um todo. Infelizmente. Vejamos os fatos.

No período 2003- 2015 o negócio de cana de açúcar no Brasil perdeu competitividade ano a ano. Para melhor comentar o que aconteceu vamos separar este período em dois: 2003-2009 (“boom das commodities”) e 2009-2015 ( “crise global”) .

No primeiro período , que denominamos de “boom das commodities”, a euforia econômica mundial predominava, os preços das commodities não tinham teto aparente, o petróleo alcançou a faixa de 140 US$/barril e o mundo se preocupava com uma eventual falta de comida para todos. Etanol competia com alimentos. Thomas Malthus ( final do século XVIII) ressurgiu das cinzas.

Neste período onde todo investimento produtivo era possível, aconteceram excessos nos setor de cana de açúcar que comprometeram fortemente a sua eficiência econômica. Para citar alguns desses exageros lembramos : terras menos produtivas e mais distantes dos centros de consumo e dos portos foram utilizadas , projetos mirabolantes com tecnologia ainda duvidosa foram feitos, recursos financeiros de curto prazo foram usados para investimentos de longo prazo. E o Governo arrumava um jeito de financiar estes excessos com juros baixos.

Posteriormente a essa euforia, como costuma acontecer na história econômica, veio a crise econômica e financeira global. Tudo começou com a falência do banco americano Lehman Brothers em Setembro/2008, consequência da derrocada do mercado de empréstimos imobiliários de risco nos EUA (“créditos subprime”), iniciada em 2007.

Neste período de 2009-15 os preços das commodities caíram. O petróleo atualmente tem preços em torno de US$ 40/barril. O açúcar até meados de 2015 tinha preços bem abaixo dos custos de produção. A consequência econômica e financeira disto tudo para as usinas foi desastrosa. O Governo da presidente Dilma Rousseff ajudou a atrapalhar, impedindo que o preço da gasolina no Brasil fosse aumentado em paridade com a gasolina importada.

E então? O que aconteceu com os custos de produção do açúcar e etanol no período 2003-2015? Vêm subindo em valores constantes (acima da inflação) e nossa competitividade está sendo perdida. Hoje somos ameaçados como produtores e exportadores de açúcar por importantes competidores internacionais como França, Alemanha, Bélgica, Inglaterra e Austrália.

No período 2003-2009 o custo do produto final (açúcar ou etanol) ficou relativamente estável apesar do custo da cana ter subido 16%. Ou seja, neste período a maior eficiência industrial foi capaz de absorver o aumento de custos da cana.

Já no período 2009-2015, com cerca de 100 projetos novos de usinas e destilarias no Brasil, filhos do “boom das commodities”, os custos de produção da cana e do produto final aumentaram em 30% e 22%, respectivamente.

Cabe lembrar que, desde meados do ano passado, com Real desvalorizado e o preço do açúcar se recuperando no mercado internacional, melhorou sensivelmente a saúde econômica e financeira das usinas de cana de açúcar no Brasil.

Resumido: não dá para contar com câmbio desvalorizado, nem com a proteção do Governo, para garantir as exportações de açúcar e etanol do Brasil. É necessário a volta de um trabalho de longo prazo de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) que nos garanta uma posição competitiva no mercado internacional , hoje com empresas de gestão muito eficiente, particularmente gestão de riscos, e com produtos geneticamente modificados, que no próximo boom de commodities serão bem aceitos pelo consumidor.

O desafio: como promover um esforço substantivo e eficaz de P&D no setor de cana de açúcar no Brasil?

 

 
 
 
 
 
 
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